quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Fado Português



Me falaram que o Fado cantava a tristeza da gente. Comigo não. O fado também canta minha alegria.
Alegria de ver horizontes distantes e rios de cores celestes.
A lindeza de uma terra que de terra tem pouco, mas muito tem de mar. E mar... ah, o mar me conhece.
As guitarras choram meus amores. As violas dançam minhas alegrias mais simples.
E a voz, a voz portuguesa que lamenta, a mim ela a agradece.
Quando o Fado nasceu trouxe ao mundo um lamento que dói na alma.
Mas a única dor que eu sinto hoje é a falta do fado.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Acordar e dormir, isso é relevante.

Ainda é escuro e um amigo dorme ao lado. É provável que ainda exista um resquício de sonho em mim. Do contrário, não pensaria tal coisa.

O amigo dorme e sonha. Tal como eu, há algumas horas. E não deveria fazer sentido, porque onde estamos, não deveríamos ter dormido. Pra que dormir? A vida acordada é bem mais real do que os sonhos que crio e que inevitavelmente me aprisionam o dia inteiro. Aquilo que é irreal toma conta de mim, meu irreal é mais bonito.

Talvez seja por estar tão longe da realidade que eu me permita não sonhar. Ou sonhar acordada fingindo ser realidade aquilo que sonho. Ou talvez eu mesma ainda não tenha acordado. E seja a mesma coisa.

Agora o amigo acorda. E me pergunta se ainda estou dormindo. Como se eu não soubesse que nem dormindo, nem acordada estou. Eu estou a sonhar. E transfigurando a realidade. Por que diabos eu ficaria acordada ou dormindo, se sonhar é mais legal?
Ele mesmo ainda não decidiu se acorda ou dorme, se sonha ou vive. Muito menos eu. Ainda não decidi e nem o farei, ficarei aqui, naquele momento entre o acordado e o dormindo onde que muitas pessoas pensam que estão caindo. Eu ficarei ali, sem dormir. Enquanto meu amigo não levanta. E quando tal acontecer, eu continuarei ali. A andar pelas ruas da minha não realidade.

E não faz o menor sentido.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Marina Morena



Tua luz se irradia negra e brilhante. Por onde passa, ela carrega consigo o teu sorriso.
O teu cabelo comprado.
A tua alma, imensurável, como todas as almas que não cabem num corpo.
O teu corpo, desenhado por Deus no último dia da criação.

Tu também levas consigo a minha alma. E tudo o que nela tu cativaste.
Leva o meu gosto pela vida. E pela noite.
Pela tua cor e tudo o que ela representa. Pela tua música.
Tu me fez, quando nada mais existia.
E o fez sem perceber.

Dá-me tua mão. Pra vida. E me ilumina.






Dedicado à minha musa: Marina Pereira.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Cartografia d'alma.

Da minha carne sobram poucas partes pra você desvendar. Meus mapas foram desenhados há algum tempo. Mas você pode se guiar por eles. Já minh'alma, nesta sim, você será meu Colombo! Meu infante, meu bandeirante, meu descobridor.

A alma cá dentro anseia por teus desenhos, por teu lápis, teu papel, teu pincel. Desenha minha alma.

Nenhuma curva da minha carne será tão bem retratada por qualquer outro do que os ventos sutis que minha alma fará no teu traço.

Ah, teu traço. Suave, firme, perfeito. Ah, teu traço!

Espera minha alma por tua inspiração. Vem.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A Gaivota


Voava baixo, cortaram-lhe parte da asa. Não poderia voar além mar, sabia que era preciso planar sobre terra firme. Poderia cair.
Qualquer brisa, sabia, poderia. Voar era tudo, mas lhe cortaram parte da asa.

O mar chamava. E ela mais que depressa respondia. Implorava. Não conseguia. Voava até a arrebentação, mas o alto mar era demais pra sua asa cortada. Começou andar. O chão era seu céu e nada mais importava.

Assistia a Gaivotas voarem livres. Longe. Onde só o azul existia. Só o azul. Engolia o sentimento de inveja, e o transformava num desejo de ser igual. Mas, não. Não era igual. Sabia.

Era maciço e permanente. Queria ser aquilo que era. Queria o pedaço que lhe cortaram. Queria poder se sentir inteira. Mas, como é cruel a dor de uma parte arrancada de si. Impossível de conviver.

Jurava não ceder. Precisava voar. E nem que baixo demais. E nem que beijasse o chão. Voaria. E o fez. Mas uma vez sem o sucesso esperado. Presa. Medrosa.

Percebe, então, que não voa, porque o medo é maior que o desejo. Perde-se no desespero do fracasso. Falha porque quer.

Pobre Gaivota com medo de voar, tua asa não acompanha teu desejo. Ou teu desejo não acompanha tua asa.

Pobre Gaivota que não sobe por medo de cair. Que dor deves sentir por não tentar de verdade.

Pare de implorar. E voe.


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Ode aos amantes.



Posso vê-los nas manhãs mais aquecidas de outubro lendo jornal enquanto esperam seu pão. Mas o que importa? Pães e notícias não os interessam. Posso ver suas bochechas mudarem de cor rapidamente. E seus olhos, mas do que depressa, ganharem um brilho inexplicável.

Sorrisos repentinos para os jornais às seis da manhã numa padaria cheia numa manhã aquecida de outubro, nas quais os corpos anseiam o sol, a areia e o mar, são explicáveis quando de repente uma sinfonia de corações pulsantes chegam ao meu ouvido. É baixo. Quase imperceptível, tal como os sorrisos e os olhares que não se movem ao ler.

São amantes. Apaixonados. Bobos. Tolos. Vivos.

Uma energia única que só a paixão consegue trazer. Conheço. Já a senti e vivi. Mas não a percebemos quando é em nós. A energia inexplicável do amor, é somente diagnosticada por aqueles que estão a sua volta. Nunca por quem o sente. Mas a verdade é que não existe doença mais maravilhosa que essa.

Quando os sintomas são suspiros, sorrisos, borboletas no estomago e coração acelerado, a conseqüência é sentir-se vivo. Amantes nada mais são do que o ser humano num estágio de vida plena.

Não sou eu a apaixonada. São os outros. Que me afundaram em uma energia maravilhosa em plena segunda-feira.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Amor além da vida


Eu acordei e você estava do meu lado. De cabeça pra baixo no sofá cama que dividíamos para passar noites assistindo a videos idiotas no youtube. Você tava com aquele olhar de quem queria falar alguma coisa, mas não sabia como começar. Você não falou nada. Eu chorei em silêncio. Eu te via, te sentia. E você estava ali, com a coberta que você roubara de mim.

Era um sonho. Você não poderia estar ali. E estava. Apenas me olhando e sorrindo como se estivesse zoando alguém. Coisas que só nós entenderíamos. Eu rezei pra te ver. Queria me despedir, me desculpar. Eu precisava te contar dos homens que beijei, das bebidas que provei, dos filmes que assisti. Eu queria um dia, um minuto que fosse. O teu abraço. A tua risada. A sua alegria constante.

Fiquei com medo de piscar e você sumir. De te perder pra sempre mais uma vez. E eu sinto tanta a tua falta. Eu não queria ver você partir. Ver o meu mundo se despedaçar. Queria te contar que embora as pessoas não entendessem, eu te entendia. E te amava do jeito que você era. Completo. Imperfeito. Maravilhoso.

Eu queria o meu irmão de volta. O pedaço da minha vida que Deus arrancou de mim sem a menor consideração. Eu queria nossas músicas e nossas brigas. E o teu companheirismo incondicional. A admiração mútua que sentíamos um pelo outro. Queria pelo menos mais um minuto das nossas bobeiras e da nossa incompreensão com o mundo.

Você foi embora e eu não consigo desistir de te querer de volta. As vezes eu não entendo como todo mundo pode viver sem você e eu vivo nessa dor que beira o insuportável. Eu só queria por um minuto matar essa saudade que me machuca a cada momento. Do jeito que eu te conheço, e do jeito que você me olha nesse sonho, aposto que diria: Deixa, a vida é assim mesmo. E me falaria uma coisa idiota que me faria rir.

Te peço pra que fique nesse sofá cama comigo, um pouco mais. Preciso ao menos do teu olhar irreal. Da tua sombra. De qualquer coisa que não te deixe morrer em mim. Me perdoe o egoísmo. Não me acorde. Não vá.